quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Adaptações Literárias: Por que sofremos tanto?

Toda vez que é anunciado a produção para TV ou cinema de um livro começam os mimimis. Existe mimimi de todos os tipos:

Anúncio: Meu Deus, vão fazer o filme de [Insira aqui o nome do livro], vão estragar tudo, já tô até vendo.
Escolha de Diretor: Nãaaaaaaaao, esse cara não, ele estragou com outro livro que eu amava.
Escolha de Elenco: É muito fei@. É muito velh@. É muito jovem. Não parece em nada com o personagem. Não é o meu [insira aqui o nome do personagem]. Mas eu queria [insira aqui o nome do ator], etc.
Primeiros trailers/imagens: Tá diferente, não é assim. Aquela roupa tá esquisita, etc.
Depois da estreia: Acabaram com o livro, o personagem jogava o cabelo pro lado direito e no filme colocaram pro esquerdo. Aquele outro personagem morre na escola e no filme morreu no meio da rua. O gato da personagem principal é siamês do olho azul, esse gato é de olho verde.

Enfim, reclamações, reclamações e mais reclamações.

Desse povo que reclama tanto, tem alguém que ao menos tentou fazer um script decente de um filme - que dura no máximo duas horas - a partir de um livro de 300+ páginas, em que o que foi cuidadosamente desenvolvido no livro, com detalhes, justificativas, o tão famoso começo, meio e fim e que inclua absolutamente TUDO que tem no livro? Alguém tem noção do quão difícil isso pode ser? Pense nos seus tempos de escola quando a professora mandava você fazer um resumo de um texto de 5 páginas com no máximo 30 linhas e você gritava "Não tem como!" Essa deve ser a vida do roteirista em escala 1000x maior.

Analisando recentemente essa situação cheguei à conclusão que talvez estejamos encarando as adaptações cinematográficas de forma equivocada e por isso nos irritamos tanto. Encaramos as produções dos livros como uma transcrição literal de suas páginas, sonhamos com nossas cenas favoritas trazida à vida do jeito que nós as imaginamos enquanto lemos. E nos decepcionamos porque a nossa cena favorita não entrou no resumo do roteirista ou porque a imaginação dos responsáveis pelas gravações é diferente da nossa.

Talvez uma mudança de perspectiva resolvesse o assunto. E se ao invés de pensarmos nos filmes e séries como "Meu livro favorito ganhando vida" mudássemos nosso pensamento para "Meu livro/história favorito ganhando uma nova versão"?

Fãs de super-heróis passam por isso o tempo todo. Superman, Flash, Mulher Maravilha, Batman e todos os outros super-heróis tem diversas versões de como surgiram, do que fizeram com que se tornassem heróis, porém, a essência continua. Exemplo: Superman é um alien, vindo do planeta Krypton que explodiu (ou não, depende da versão que você lê) e foi enviado à Terra por seus pais para que ele pudesse se salvar. Na Terra, os raios amarelos do sol lhe deram super poderes e ele se tornou o defensor do planeta. Porém, existem várias formas de contar essa mesma história, ele foi criado pelos Kent, pelos Luthor, ele se tornou um tirano que mata e lidera todo mundo com punhos de ferro, ele casou, criou família, ficou só, envelheceu, morreu, ressuscitou... ufa, são tantas e de tantas formas que apenas os nerds mais fanáticos conseguem conhecer todas, mas uma coisa não muda...ele sempre será à prova de balas, mais rápido que um trem, conseguirá pular mais alto que um prédio, terá visão de raio-x, de calor, super audição, super sopro, voa e é vulnerável à Kyptonita. 

Um filme mais ou menos recente que recebe altas críticas por sua disparidade com os livros, são os filmes de Percy Jackson. Assisti o primeiro "Percy Jackson e o Ladrão de Raios" sem nunca ter ouvido sequer falar dos livros. Por causa do filme, me interessei a ler e quando finalmente li, vi a diferença enorme. Não sei se a inversão da ordem (filme primeiro leitura depois) contribuiu para isso, mas essa diferença não me incomodou - e nem incomoda - tanto quanto incomoda aos outros fãs. Por quê? Porque eu gostei da história que vi no cinema. Foi interessante, foi bem feita, serviu o propósito a que lhe foi destinado: contar a história de um menino que foi acusado de roubar o raio mestre de Zeus e que consegue provar sua inocência, desmascarar o culpado e evitar a Guerra Olimpiana que estava se anunciando. 

Por que ao invés de ficarmos comparando o que teve de igual e de diferente entre os livros não podemos simplesmente aproveitar a oportunidade de ver uma história legal ser contada? Não sei a resposta para essa pergunta, mas sei que da próxima vez que eu assistir um filme baseado em um livro que eu li vou tentar evitar as comparações e simplesmente aproveitar.

2 comentários:

  1. Porque somos humanos e gostamos das coisas do jeito da gente :3

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    1. kkkk, Isso é. Mas causa sofrimento. Só estou tentando mudar a perspectiva das coisas para aproveitar mais e reclamar menos. ;) Obrigada por comentar.

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